O lugar da psicanálise na plataformização

subjetividade, mutações narcísicas e saúde mental

 

Annebelle Pena Lima Magalhães Cruz[1]

Universidade do Estado do Amapá

annebelle.cruz@gmail.com

Sérgio Rodrigues de Santana[2]

Universidade Federal da Paraíba

sergiokafe@hotmail.com

Carla Daniella Teixeira Girard[3]

Universidade Federal Rural da Amazônia 

carlinhagirard@yahoo.com.br

Antônio Cosme Menezes Neto[4]

Universidade Federal Rural da Amazônia 

menezes@santacasa.pa.gov.br

Lília Mara Menezes[5]

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

liliamaram@hotmail.com

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Resumo

As profundas transformações decorrentes do acesso e uso da informação e TIC que constituem a Plataformização deram origem às mutações psíquicas, assim afetando a saúde mental. Diante dessa argumentação, qual é o lugar da Psicanálise frente à essas mutações psíquicas no âmbito da Plataformização? O objetivo deste trabalho foi descrever e discutir as transformações subjetivas excedentes da Plataformização. A justificativa se baseia no fato de que ao abordar a Plataformização e seus excedentes é necessário suspender as teorias clássicas, para compreender o novo que surge dela. Adotou a abordagem qualitativa e método de análise de conteúdo aplicado por três protocolares, pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados. O lócus foi a Ciência da Informação e o corpus foi um bibliografia que aborda a Psicanálise nesse campo de 2001 a 2024. Na Plataformização as subjetividades narcísicas que se movem por fluxos de informação, promovendo empoderamentos e protagonismos distorcidos. Essas subjetividades narcísicas podem ser divididas em três espectros: a subjetividade espectral psicótica narcísica, que transita pela ‘realidade psicótica digital’, com uma inclinação para plataformas digitais e jogos, onde o gozo está relacionado ao poder; a subjetividade espectral neurótica narcísica, que transita pela ‘realidade de mediação social, digital e virtual’, marcada pelo conflito entre o desejo de estar conectado e a dificuldade de se adaptar a essa realidade, resultando na ausência de gozo; e a subjetividade espectral perversa narcísica, que transita pela ‘realidade de mediação social e física’, onde o gozo é obtido a partir das fake news.

Palavras-chave: subjetividade; narcisismo; psicanálise; ciência da informação; saúde mental.

THE PLACE OF PSYCHOANALYSIS IN PLATFORMIZATION

subjectivity, narcissistic mutations and mental health

Abstract

The profound transformations resulting from access to and use of information and ICT that constitute Platformization have given rise to psychic mutations, thus affecting mental health. Given this argument, what is the place of Psychoanalysis in the face of these psychic mutations within the scope of Platformization? The objective of this work was to describe and discuss the subjective transformations that are excesses of Platformization. The justification is based on the fact that when addressing Platformization and its excesses, it is necessary to suspend classical theories in order to understand the new that emerges from it. It adopted the qualitative approach and content analysis method applied by three protocols: pre-analysis, exploration of the material and treatment of the results. The locus was Information Science and the corpus was a bibliography that addresses Psychoanalysis in this field from 2001 to 2024. In Platformization, the narcissistic subjectivities that move through information flows, promoting empowerment and distorted protagonisms. These narcissistic subjectivities can be divided into three spectra: the psychotic narcissistic spectral subjectivity, which transits through the ‘psychotic digital reality’, with an inclination towards digital platforms and games, where enjoyment is related to power; the neurotic narcissistic spectral subjectivity, which transits through the ‘reality of social, digital and virtual mediation’, marked by the conflict between the desire to be connected and the difficulty of adapting to this reality, resulting in the absence of enjoyment; and the perverse narcissistic spectral subjectivity, which transits through the ‘reality of social and physical mediation’, where enjoyment is obtained from fake news.

Keywords: subjectivity; narcissism; psychoanalysis; information science; mental health.

EL LUGAR DEL PSICOANÁLISIS EN LA PLATAFORMIZACIÓN

subjetividad, mutaciones narcisistas y salud mental

Resumen

Las profundas transformaciones derivadas del acceso y uso de la información y las TIC que constituyen la Plataformización han dado lugar a mutaciones psíquicas, afectando así a la salud mental. Dado este argumento, ¿cuál es el lugar del Psicoanálisis frente a estas mutaciones psíquicas en el ámbito de la Plataformización? El objetivo de este trabajo fue describir y discutir las transformaciones subjetivas que surgen de la Plataformización. La justificación se basa en que al abordar la Plataformización y sus excedentes es necesario suspender las teorías clásicas, para comprender lo nuevo que emerge de ella. Se adoptó el enfoque cualitativo y el método de análisis de contenido aplicado mediante tres protocolos, preanálisis, exploración del material y tratamiento de los resultados. El locus fue la Ciencia de la Información y el corpus una bibliografía que aborda el Psicoanálisis en este campo desde 2001 hasta 2024. En Plataformización, subjetividades narcisistas que se mueven por los flujos de información, promoviendo empoderamiento y protagonismo distorsionado. Estas subjetividades narcisistas se pueden dividir en tres espectros: la subjetividad espectral narcisista psicótica, que se mueve por la ‘realidad psicótica digital’, con inclinación hacia las plataformas y juegos digitales, donde el goce se relaciona con el poder; la subjetividad espectral neurótica narcisista, que se mueve a través de la “realidad de la mediación social, digital y virtual”, marcada por el conflicto entre el deseo de estar conectado y la dificultad de adaptarse a esta realidad, resultando en la ausencia de disfrute; y la perversa subjetividad espectral narcisista, que transita por la “realidad de la mediación social y física”, donde se obtiene goce de las noticias falsas.

Palabras clave: subjetividad; narcisismo; psicoanálisis; ciencia de la información; salud mental.

1 INTRODUÇÃO

 

As profundas transformações advindas também do acesso e uso da informação e da tecnologia deram origem as novas formas de percepção e sensação de si e do corpo, logo, reflete sobre a saúde mental e asubjetividade, essa última em vertigem (Chaui, 2024). Essa subjetividade tem o narcisismo como força motriz, pois para Freud (2010), no narcisismo, o ego se comporta como objeto de seu próprio amor, caracterizado pela idealização ou superestima de si mesmo, vivenciando o prazer de se perceber e sentir especial e perfeito (Chauí-Berlinck, 2008).

A percepção é um fenômeno que tem o potencial de sofrer interpretação simbólica, ou seja, da significação de dados colhidos das impressões pelas vias das sensações, essa última que diz apenas acerca dos dados colhidos pelos sentidos que não necessariamente são submetidos a interpretação simbólica como naturalmente ocorre com espécie simples (Araújo, 2014).

A percepção e a sensação refletem na subjetividade, ao qual para Coimbra (1995) revela ser moldada também pelas tecnologias sincrônicas a época e contexto do sujeito (Bacha; Figueiredo Neto; Schaun 2013). Entre esses fenômenos que compõem as novas formas de percepção, sensação e subjetividadeemergem novos comportamentos e psicopatologias, assim advindas do uso inadequado das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e da Plataformização.

As TIC transformaram as formas de interação humana, o processo de aprendizagem e as relações sociais. Para Nieborg e Poell (2018, p. 427) a Plataformização se refere à penetração de extensões econômicas, governamentais esociais através das plataformas digitais nos ecossistemas da web e aplicativos. Assim, a Plataformização da vida se torna a cada dia mais fundamental para alguns sujeitos, pois se configura o estágio mais avançado da cultura digital, de tal modose tornandouma extensão mental (Araújo, 2023).

Diante dessa argumentação, qual é o lugar da Psicanálise frente às mutações subjetivas no âmbito da Plataformização? O objetivo deste trabalho foi descrever e discutir as transformações subjetivas excedentes da Plataformização.

A justificativa da pesquisa se baseia na consideração de Leitão e Nicolaci-Da-Costa (2003), de que ao abordar a Plataformização e seus excedentes, é necessário suspender algumas teorias psicológicas clássicas, para a compreensão do novo que surge nessa configuração social, cultural e tecnológica. Isso incluem suspender os conhecimentos psicanalíticos, que ainda se baseiam em técnicas, tecnologias e teorias incongruentes frente às novas percepções, sensações e subjetividades excedentes da nova configuração social, cultual e tecnológica.

 

2 METODOLOGIA

 

Adotou nessa pesquisa a abordagem qualitativa, pois o objetivo nãofoi medir os fenômenos deste estudo, mas compreender os aspectos simbólicos deles frente às suas interações e reações complexas (Sampieri; Collado; Lucio, 2013). Nesse sentido, a compreensão ocorre através das relações complexas entre as TIC, informação, subjetividade e Plataformização e os significados que emergem destes fenômenos.

O corpus foi composto por artigos, comunicações, editoriais e dissertações que abordam a Psicanálise no campo da Ciência da Informação, com um recorte temporal de 2001 a 2024, pois o campo pode fornecer um conhecimento para Psicanálise, uma vez que a ‘informação e a tecnologia’ são discutidas também no âmbito da dimensão psíquica.A busca do conteúdo ocorreu no segundo semestre de 2024 na Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação (BRAPCI), onde reúne a produção da área. Nessa base, a pesquisa foi conduzida utilizando ostringde busca como ‘Psicanálise’, ‘Freud’ e ‘inconsciente’, aplicadosaos filtros ‘todos’, ‘título’ e ‘palavras-chave’.

Optou-se pelo método de análise de conteúdode Bardin (1977),queodefinecomo um conjunto de técnicas destinadas à análise das comunicações, empregando procedimentos sistemáticos e objetivos para descrever o conteúdo das mensagens de formamanifestae latente (Bardin, 1977;Campos,2004).O conteúdo manifesto se refere apenas ao que é visível ou diretamente observável em um texto, discurso ou mensagem, assim como na fala de um sujeito.O conteúdo latente diz respeito do significado subjacente, implícito ou não verbalizado em textos, discursos, mensagens ou falas. Trata-se de tudo aquilo que está oculto nas declarações ou ações, frequentemente revelando sentimentos, motivações ou intenções (Atkinson et al., 2002).

No método de análise de conteúdo de Bardin (1977), pode ser aplicado por três fases protocolares.Nesta fase inicial, denominada ‘Pré-análise’, se foca na organização e familiarização com o material a ser analisado, na construção do corpus da pesquisa, pois é o conjunto de documentos selecionados para serem submetidos aos procedimentos analíticos (Bardin, 1977). Neste estágio, o pesquisador define os objetivos da análise, formula hipóteses e estabelece um quadro de referências. A pré-análise também envolve uma leitura exploratória do conteúdo, o que possibilita a identificação dos temas, categorias que emergem do material (Bardin 1977; Cardoso; Oliveira; Ghelli, 2021).

Na segunda fase protocolar, denominada ‘Análise do material’, o corpus é examinado de forma mais aprofundada. O pesquisador categoriza e codifica os dados, identificando as ‘unidades de significado’ e estabelecendo relações entre elas. Esta etapa é crucial, pois a sistematização dosdados permite que as informações sejam organizadas em categorias, o que facilita a análise subsequente (Bardin 1977; Mendes; Miskulin, 2017).

Assim, o foco em trabalhar o material coletado na fase anterior, convertendo-o em dados que possam ser analisados por meio de operações de codificação, esse que corresponde a criação de um sistema que transforma dados brutos do texto, por processos de decomposição, classificação, agrupamento e enumeração. Deste modo, para codificar é imperativo escolher as unidades de registro e de contexto (conforme o caso), as regras de contagem dos elementos e as categorias (Bardin 1977; Cardoso; Oliveira; Ghelli, 2021).

Na terceira e última fase protocolar, chamada‘Tratamento dos resultados obtidos e interpretação’, os resultados da análise são interpretados. Nessa etapa, o analista confronta os dados com as hipóteses iniciais e a teoria subjacente, buscando compreender os significados e as implicações do material analisado.

Essa etapa pode envolver a formulação de inferências e a elaboração de sínteses interpretativas, que auxiliam na tradução dos achados em insights significativos (Bardin 1977; Mendes; Miskulin, 2017; Cardoso; Oliveira; Ghelli, 2021). Assim, culmina na enumeração e sistematização das características das unidades de registro e de contexto das classes.

A partir dessa descrição, é gerado um texto síntese para cada classe, que expressa o conjunto de significados das diversas unidades de análise. Com isso, chega o momento da interpretação, que consiste em atribuir novas significações a essas características (Bardin 1977; Cardoso; Oliveira; Ghelli, 2021).

 

3 PLATAFORMIZAÇÃO, REALIDADES E ALGUNS FENÔMENOS DIGITAIS

 

Antes de se consolidar como nova configuração social, cultural, tecnológicae extensão da mente humana, a Plataformização iniciou seu processo evolutivo com a Web 2.0, no final da década de 1990, uma vez que nesse recorte temporal se inicia a participação ativa dos sujeitos. No Brasil, essa participação ativa tem se desenvolvido de forma acelerada através de muitos fatores, e um deles é a baixa escolarização da população que afeta a capacidade de análise crítica da informação (Paletta; Lago 2022).

Na Plataformização, para além dos aspectos econômicos, governamentais e sociais destacados por Nieborg e Poell (2018, p. 427), abrange-se também outras dimensões individuais.É imperativo averiguar o que permanece dentro dos sujeitos, os excedentes gerados a partir do acesso e do uso das plataformas digitais, pois para Araújo (2023), asubjetivação em um contexto de Plataformização da vida écomplexo e multifacetado, especialmente quando a ‘[...] vida mental deve apresentar um interesse peculiar para nós, se estamos certos quando vemos nela um retrato bem conservado de um primitivo estágio de nosso próprio desenvolvimento [...].’(Freud, 1976b, p. 20), e sobretudo quando esse ‘[...] homem primitivo sobrevive potencialmente em cada indivíduo [...]’ (Freud, 1976a, p. 156), em qualquer tempo e espaço, inclusive na atualidade e na Plataformização.

Mais do que construir e acessar as TIC com o objetivo de se informar, o processo de imersão nas tramas da Plataformização, apesar de ser amplamente moldado por uma perspectiva capitalista, exige uma reflexão sobre os excedentes negativos. Essa tarefa é abordada por Santana, Martins e Silva (2016), que discutem a realidade como um macrofenômeno processual, que abarca tudo o que existe.Para Santana, Martins e Silva (2016), a realidade é um aglomerado holístico de partes percebidas e assimiladas pelos sujeitos a partir de suas perspectivas e vivências fenomenológicas, que moldam a percepção do mundo no tempo e no espaço, assim a realidade pode ser comum a todos, mas com nuances distintas quantitativas e qualitativas.

Essa construção individual de cada sujeito ocorre em primeira instância a partir da percepção e, em seguida, pela via da simbolização diante dos fenômenos digitais, como o narcisismo digital, os simulacros digitais e as fake news, entre outros. Todos esses fenômenos digitais são estruturados por intensas cargas emocionais, sentimentos e afetações, funcionando como elos na imersão dos sujeitos na Plataformização, o que perturba suas estruturas psicológicas, especialmente no caso das fake news, como apontado por Santana et al. (2024). A reflexão sobre as fake news se torna urgente, pois elas têm o potencial de afetar a saúde mental, desestruturando psicologicamente ossujeitos tanto no ambiente online quanto offline.

Esses são alguns dos fenômenos da Plataformização como realidades a partir da perspectiva dos excedentes negativos. A Plataformização configura uma realidade extraterritorial na qual os sujeitos se situam entre as três possibilidades descritas por Santana, Martins e Silva (2016): a ‘realidade de mediação social e física’, a ‘realidade de mediação social, digital e virtual’, e a ’realidade psicótica digital’. Por sua vez, Santana et al. (2024) focam nas fake news como fenômeno digital que contribui para a desordem mental.

A ‘realidade de mediação social e física’ é aquela em que os sujeitos têm contato direto com o mundo físico, experienciando percepções e sensações que dão origem à dimensão simbólica, ou seja, à subjetividade. Nesse contexto, o sujeito vivencia experiências imediatas com objetos, pessoas, lugares e fenômenos naturais, químicos, físicos e metafísicos. No entanto, as fake news afetam essa vivência na ‘realidade de mediação social e física’, pois, mesmo estando online elas surgem inesperadamente por alguém que envia. Essa é uma das principais diferenças entre a informação e as fake news, enquanto buscamos ativamente a informação a partir de um estado anômalo do conhecimento[6] (Belkin, 1980), as fake news nos encontram, muitas vezes, sem que as procuremos, e principalmente quando acessamos as plataformas digitais para trabalhar, estudar ou nos entreter.

No segundo caso, isso ocorre porque as ‘infraestruturas de dados’ da Plataformização coletam, analisam e utilizam grandes volumes de dados demográficos e de perfis de usuários, especialmente dados comportamentais, por meio de aplicativos, plugins, rastreadores e sensores, tanto ativos quanto passivos (Nieborg; Poell, 2018).

A segunda realidade, conforme nomeada por Santana, Martins e Silva (2016) de ‘realidade de mediação social, digital e virtual’ Nessa realidade, os sujeitos experienciam um contato tanto físico quanto metafísico por meio da interação direta com as máquinas, logo, com as plataformas digitais, que possibilitam o acesso a simulacros digitais e virtuais de objetos, pessoas e lugares, imersos no fluxo de bits. Quanto a estes simulacros, estão as fake news, como também outros ‘simulacros estruturados’ como beleza, poder, riqueza e empoderamento que compõe o narcisismo digital, todas composta pelos fluxos de fake news, fenômenos potencializados no contexto da pandemia, política partidária, e por influencers e coachescriadores de conteúdos bizarros, generalistas e reducionistas.

Os autores também destacam a ‘realidade psicótica digital’, uma extraterritorialidade que definida pela percepção e sensação de uma realidade ainda mais particular, a dimensão simbólica frente aos simulacros, ela éa mais estruturada na cognitiva do sujeito, assim a consciência está ausente. Essa foi pensada pelos autores para se referir ao nível de fuga da realidade da ‘realidade de mediação social e física’ e permanência na ‘realidade de mediação social, digital e virtual’ (Santana; Martins; Silva, 2016).

Assim, os simulacros, como as fake news, como outros simulacros construídos a partir delas, como beleza, poder, riqueza e empoderamento que compõe o narcisismo digital. Nessa realidade, esses simulacros são aceitos como fatos, como se fossem parte da vida real. Ou seja, os sujeitos passam a acreditar que as pessoas nas redes sociais são mais felizes, bonitas e ricas, o que gera comparações constantes e, consequentementefragilizando a saúde mental, levando ao sofrimento e ao adoecimento psicológico.

 

4 A SUBJETIVIDADE A PARTIR DAS ESTRUTURAS CLÍNICAS NEUROSE, PSICOSE E PERVERSÃO

Na intersubjetividade, várias mentes se conectam e produzem pensamentos e comportamentos comuns, enquanto na subjetividade uma única mente pensa e age de maneira independente, transformando as aprendizagens coletivas em experiências pessoais. Embora as aprendizagens, pensamentos e comportamentos se originem em um contexto grupal, na subjetividade, o sujeito se direciona para um caminho solitário, internalizando essas construções de forma única e individual (Schutz, 1967; Castro, 2012).

Quando se aborda a intersubjetividade e a subjetividade faz-se referência às excitações internas e externas, conforme argumenta Chabet (2004). Para a autora, as excitações externas provocam reações internas, que, por sua vez, se complementam mutuamente, formando e constituindo os sujeitos. Esses processos se desenvolvem por meio das interações entre as sensações e percepções (excitações externas) e os processos de simbolização e representação (excitações internas).

Assim, a subjetividade deve ser entendida como uma reação historicamente contingente (Almeida; Brito; Quintella, 2014). A subjetividade é contextual e resulta das experiências vividas pelo sujeito através das excitações externas provocam reações internas.Para Di Matteo (2007, p. 195), Freud compreendia a subjetividade para além de um fenômeno:

[...] substancialista que o termo carrega inclusive etimologicamente (sub jectum), passou-se a utilizar a palavra “subjetividade”, evocando menos uma coisa e mais um topos, um lugar, uma morada, um “campo” interior – uma “outra cena” diz Freud, onde as experiências do sujeito são necessariamente confrontadas com a corporalidade e a intersubjetividade. (Di Matteo, 2007, p. 195).

 

A subjetividade situada nas estruturas‘neurose, psicose e perversões’ pode nos revelar muito sobre as vertigens nesse lugar, na morada e/ou nocampo interior, especialmente, frente à reação contingente da Plataformização que promove excedentes no processo deconstituição do sujeito da atualidade.

Embora Freud tenha contribua significativamente para essa nova perspectiva da subjetividade, ao abordar o pensamento freudiano clássico, a subjetividade na psicose pode ser caracterizada pela fragmentação do eu, marcada pela forclusão[7]. Na Plataformização essa fragmentação se potencializa - pela impossibilidade de simbolizar as experiências e pelo isolamento da realidade compartilhada. Assim, o sujeito psicótico pode vivenciar uma sobrecarga de significados ou, ao contrário, uma ausência de significados, o que gera confusão e desorientação que o leva a perda fatalmente de si.

Essa perspectiva patologizante é elaborado frente às formas iniciais epistêmicas do construto psicose que se refere à perda da realidade e a criação de uma pseudorealidade. Nesta perspectiva, verifica-se um processo que deteriora as funções em graus variáveis, com sério prejuízo do contato com a realidade (Polett, 2012; Santanaet al., 2024). Para Zimerman (1999) há três tipos de psicose: a psicose propriamente dita; o estado psicótico; e a condição psicótica, assim percorrer a terceira via nos possibilita visualizar um espectral psicótico no âmbito da Plataformização na ‘realidade psicótica digital’.

 O que nos interessa neste estudo não é a psicose patologizante, que se caracteriza um processo de deterioração das funções do ego como potencial de sério prejuízo do contato com a realidade, como as esquizofrenias crônicas (Zimerman, 1999, p. 227). Assim, na presente pesquisa, a psicose é compreendida como espectral, por vezes chamada de ‘psicose atual’, pois não se caracteriza pela produção de alucinações, mas que leva o sujeito a manifestar comportamentos delirantes por meio de ações somáticas e não mentais. Dessa forma, ela desencadeia conflitos emocionais diante dos simulacros gerados pela e na Plataformização (Santana et al., 2024).

Na perspectiva patologizante, a subjetividade na neurose é marcada pela tentativa de lidar com impulsos reprimidos e com a relação ao outro, figura parental, o social, como outros significantes importantes. A subjetividade neurótica é influenciada pela constante oscilação entre os desejos inconscientes e as normas que a sociedade impõe no fluxo o recalque[8], esse que é o mecanismo de defesa. Quanto às normas, por exemplo, a adesão às redes sociais é um processo de Plataformização e reflete um valor dos sujeitos contemporâneos. Em tese, a ‘realidade de mediação social e física’ pode ser vista como um reduto do neurótico, dado que a personalidade neurótica é marcada por um constante estado de alerta, medo e cautela. Deste modo, sejam ela quais forem, as normas e valores geram muitas vezes um sofrimento significativo, mas sem levar à ruptura total com a realidade, como ocorre na psicose (Santana et al., 2024).

A perspectiva Freudiana acerca do construto ‘neurose’ apareceu em um tratado de medicina de um médico escocês, no qual a segunda parte da obra era intitulada “Neurose ou doenças nervosas”. Já, no século XIX, Freud preocupou-se em conhecer a ‘neurose’ como mecanismo psicogênico (origem psíquica), assim, para ele o substrato anatômico detectável estava relacionado à expressão simbólica de um conflito intrapsíquico entre ideias fantasmáticas inconscientes (Polett, 2012). Para Tenório (2003), a neurose é uma tentativa desesperada dos sujeitos de evitar o conflito entre eles e seu meio, e como espectral figura incapacidade do sujeito de encontrar e manter o equilíbrio adequado entre ele, o mundo e as pessoas (Perls, 1981; Santana et al., 2024).

Quanto à perversão que ocorre através da denegação[9], um mecanismo de defesa que se relaciona às reivindicações pulsionais e patológicas. A perversãotransita pela ‘realidade de mediação social e física’, uma vez que as primeiras ideias sobre a perversão estão relacionadas à busca de satisfação, o que exige uma consciência de lugar e espaço. A internet pode ser vista como um ‘paraíso’ para os pervertidos de todos os graus de perversidade, operando à sombra dos bits, desde aquele que faz um comentário desagradável em uma postagem, até mesmo da atuação de pedófilos, golpistas, produtores e disseminadores de fake news, e outros.

Na perspectiva clássica de Freud, a perversão refere às transgressões,com o objetivo da função simbólica e prática do coito sexual e do prazer, em queFreud focou nas reflexões as parafilias, fetichismo, o exibicionismo, o voyeurismo, sadismo e o masoquismo, entre outros. A perversão como espectral nesta pesquisa se aproxima da ideia de Graña (1998), que acrescenta alguns pontos convenientes sobre o termo ‘perversão’, pois o autor acrescenta de ação dos sujeitos do gozo simbólico por pequenas ações não sexuais de coito, mas que lhes promovem satisfações, como produzir e disseminar fake news que é uma postura ‘às avessas’, o ‘contrário à justiça’ e ‘inclinado ao mal’, quando se ‘destruir das leis’ ou ‘profanar as coisas ou cerimoniais sagrados’ (Graña, 1998; Piano, 2021; Santanaet al., 2024).

Assim, o direcionamento clássico da Psicanálise para a patologização frente às três estruturas podem não promover derivação para o campo da subjetividade. Porém, segundo Faria (2022) através do pensamento Lacaniano, ela propõe essa derivação, em que as três estruturas podem ser aplicadas em relação a subjetividade, e o caráter da potologização e clínico pode ser desconsiderando (Faria, 2022).

O entendimento entre a neurose, psicose e perversões na Psicanálise iniciou com relações de exclusão mútuas, mas, aos poucos, as concepções se complexaram e se aproximaram em alguns aspectos (Polett, 2012), como por exemplo, uma mesma patologia, um fenômeno clínico pode estar em uma neurose, psicose e perversões. Assim, ao visualizar a neurose, psicose e a perversão nesta pesquisa não se refere as patologias em uma inclinação clínica, mas uma estrutura subjetiva, ou funcionamento mental (Faria, 2022) que pode ou não atingir seu apogeu, por exemplo, um sujeito de espectral psicótica pode viver a vida toda sem ter um surto psicótico, então esse espectral será apenas uma subjetividade.

Desse modo, embasar as personalidades movidas por espectral psicótico, neurótico e perversãono fluxo da relação entre o id (ideal de ego), ego e superego, significa dizer que todos os sujeitos podem, de alguma forma, promover os excedentes negativos das Plataformização. Isso ocorre porque, como propôs Lacan, nós, seres de fragilidade, não temos necessidade da exatidão da verdade, “nós temos necessidade de sentido” (Lacan, 2008, p. 14), logo, o que é conveniente, que nos traz gozos ou alívios e vice-versa, desse modo, gerenciando os conteúdos narcísicos, conteúdos ansiógenosos e conteúdos libidinosos.

 

5 ANÁLISES E DISCUSSÕES

 

Esse artigo é o resultado parcial da pesquisa intitulada o ‘Lugar da Psicanálise na Ciência da Informação’, em parceria entre o grupo de Grupo de Estudos em Interdisciplinaridades e Epistemologias (GintEpsi/PB) e do núcleo Grupo de Pesquisa em Pedagogias Culturais e Pedagogias do Corpo (GPCCORP) da Universidade do Estado do Amapá (UEAP).

O resultado apontou que o lugar da Psicanálise na Ciência da Informação’ ocorre através de quatrocampos de estudos como evidencia Figura 1.

 

 

 

 

 

 

 

 

Figura 1 - Psicanálise e Ciência da Informação e suas interseções epistêmicas

Fonte: Dados da pesquisa (2024).

Contudo, conforme a figura 01, a ‘Classe 1’ que trata da subjetividade e o foco desta comunicação, se configura como um campo de estudo fundamental na Ciência da Informação, e está intimamente ligada ao acesso e uso do binômio ‘informação e TIC’. Contudo, é relevante analisar cada uma das forças desse binômio para entender as discussões sobre a subjetividade e sua conexão com a Psicanálise.

Para os teóricos da Ciência da Informação, o acesso e uso das TIC possuem o potencial transformador, capaz de promover a inclusão, revolucionar a educação, transformar o mercado de trabalho e otimizar processos no século XXI, assim, esses fatores compõe o escopo da área. Esse caráter inovador por meio da tecnologia é destacado no discurso de Leakey e Lewin (1982), que descrevem como um ser humano primitivo, ao transformar um seixo com golpes habilidosos, criou um instrumento, uma peça de tecnologia intencional, assim o sujeito primitivo promoveu um fenômeno de inovação. A noção de tecnologia proposta por Leakey e Lewin (1982) nos ajuda a compreender como as TIC desempenham um papel crucial na resolução dos problemas das atividades cotidianas humanas na Plataformização.

Contudo, a tecnologia também pode ser utilizada de forma perversa e/ou equivoca, dificultando a própria existência do sujeito humano. Exemplos disso são o advento da pólvora e do canhão, que deram origem às armas de fogo no século XIV, ou ainda o uso de uma substância inicialmente terapêutica, como uma droga que, ao ser diluída em uma bebida em grade quantidade pode ter a intenção de tirar a vida de alguém.

Dessa forma, qualquer tecnologia, inclusive as TIC, pode transformar negativamente os corpos e mentes nos espaços onde os mesmos ocupam, e com isso pode adquirir o status de ferramentas de destruição. A Plataformização é um exemplo ilustrativo desse fenômeno, que, ao expandir as possibilidades de resolução dos problemas cotidianos, pode gerar uma vertigem entre a ‘realidade de mediação social e física, a ‘realidade de mediação social, digital e virtual’ e a ‘realidade psicótica digital’. Os processos de Plataformização geram cansaço e impacto mental, pois os sujeitos precisam lidar simultaneamente com duas naturezas de realidades: a online e a offline, além das complexidades filosóficas que sustentam a nova configuração social, cultural e tecnológica, aspectos questionados por Demo (2000).

No campo da Ciência da Informação, o acesso e o uso da informação estão profundamente interligados às TIC, e a primeira possui um potencial transcendental. Para os teóricos, a Informação promove uma reconfiguração cognitiva. No contexto da Plataformização, a informação exerce um papel crucial no empoderamento e no protagonismo dos sujeitos, pois a informação é, essencialmente, sinônimo de poder.O poder expresso pelo empoderamento e protagonismo surge a partir do acesso à informação ideal, capaz de atender às necessidades dos sujeitos e reconfigurar suas estruturas cognitivas, dessa formapotencializando a sensação e percepção dos sujeitos na compreensão mais adequada de um fenômeno.

Assim, as ‘unidades de significados’ que representa a ‘Classe 1’ conforme a figura 01, estão inseridas em um dos paradigmas[10] da Ciência da Informação (Capurro, 2003), o paradigma cognitivo. Deste modo, as ‘unidades de significados’ demarcam o empoderamento e o protagonismo que representam duas facetas da subjetividade. Essa lógica é genuína, pois a filosofia da Ciência da Informação busca compreender as forças, propriedades e comportamentos da informação (Le Coadic, 1996), tanto no âmbito social, nos canais, fluxos e suportes, quanto nas estruturas cognitivas dos sujeitos.

Contudo, ao envolver a informação pela Psicanálise podemos configurá-la tanto como um objeto de desejo, como um gatilho[11], assim suspendendo a informação como um elemento limitado a uma única dimensão, sem, no entanto, desconsiderar sua importância como objeto central de estudo na Ciência da Informação.

No primeiro caso, o desejo por informação remonta à história das civilizações antigas, umexemplo de fato pode ser observado no Egito, onde todos os viajantes e navios que chegavam a Alexandria só podiam desembarcar após os escribas realizarem cópias dos itens informacionais trazidos por eles (Rosa, 2021).

Esse desejo está intimamente relacionado à acumulaçãodo poder, assim a força motriz por trás do desejo de informação pode ser compreendida como uma energia intrínseca e motivadora, que impulsiona o ser humano de maneira contínua, adaptando-se às suas necessidades e aspirações.

No segundo caso, a informação pode atuar como um gatilho, desencadeando processos emocionais profundos, promovendo insights e facilitando o acesso a conteúdos inconscientes. Esse processo pode resultar em um alívio momentâneo ou em uma reflexão intensa sobre o próprio eu, incluindo as dores e angústias existenciais. Certos tipos de informação, quando processados de forma consciente, como notícias sobre grandes eventos, descobertas pessoais ou mudanças paradigmáticas, têm o potencial de gerar reações emocionais intensas e negativas.

Assim, o segundo caso é um terreno fértil para a reflexão sobre suas dimensões que podem construir para o campo epistemológico sobre os aspectos mais emocionais do que cognitivos. A abordagem psicanalítica considerar os impulsos e motivações que orientam o processo de busca e consumo da informação, bem como os efeitos que esses processos e a informação em si podem gerar, inclusivo de forma contraproducente quanto à subjetividade.

Isso ocorre por que a Psicanálise como faceta epistêmica pode ajuda a Ciência da informação a compreender seu objeto de estudo, oferecendo uma perspectiva única acerca da informação na conexão entre a subjetividade, a linguagem e os processos inconscientes não cognitivamente, mas por elementos que podem ser profundamente relevantes na forma como apropriamos e interpretemos a informação.

Como por exemplo, uma análise psicanalítica do empoderamento e do protagonismo quesão mudanças de relocação dos corpos e as mentes através das TIC e da informação, e como esses processos refletem e redimensionam a subjetividade. O empoderamento e o protagonismo têm uma relação íntima com o narcisismo, incluindo tanto o narcisismo primário, aquele saudável que contribui para nossa percepção de si, quanto asformas patológicas. Chaui (2024) aponta para o sujeito narcísico, especialmente moldado pela mutação do narcisismo digital no contexto da Plataformização, em grande parte impulsionado pelas redes sociais, que, por meio das TIC e fluxos informacionais, ampliaram e multiplicaram os espelhos. Para a filósofa:

Está surgindo uma nova subjetividade produzida por esse mundo digital. Primeiro, é uma subjetividade narcisista. Ou seja, existir é ser visto. Se você não é visto, você não existe. Então, ser visto é a primeira marca do narcisismo. Só que, como você depende para ser visto do olhar do outro e não tem controle sobre o olhar do outro, você está ininterruptamente… e como Freud dizia, o narcisismo é inseparável da depressão (Chaui, 2024, s/p).

 

O narcisismo digital refere-se a um comportamento no qual o sujeito se apresenta como uma versão idealizada e ‘bem-sucedida’ de si mesmo através de filtros, simulacros e performances para a busca da constantemente validação, reconhecimento e admiração nos ambientes digitais, especialmente nas redes sociais e similares. A superexposição online, com o objetivo de atrair a atenção dos outros tem a ‘crítica’ como hater e o elogio como preenchimento do vazio narcísico, seja por meio de comentários, compartilhamentos ou curtidas.

Para Chaui (2024), o narcisismo digital adoece todos ossujeitos, isso incluem os ‘bem-sucedidos’ nas redes sociais, que se engajam em uma busca frenética e ininterrupta por validação. E afeta também os seguidores, que, ao se compararem aos ‘bem-sucedidos’ se ressentem das postagens que retratam a vida ‘perfeita’ do outro, acabam adentrando no mesmo fluxo de busca pela aprovação alheia.

Como resultado, ambos se veem mergulhados em um ciclo de insatisfação e, consequentemente, de depressão. O narcisismo digital pode atravessar os espectros neurótico, psicótico e da perversão, cada um de maneira única na ‘realidade de mediação social e física, a ‘realidade de mediação social, digital e virtual’ e a ‘realidade psicótica digital’ (Santana; Martins; Silva, 2016). Quando Chaui (2024, s/p) destaca a depressão/melancolia, a neurose narcísica surge automaticamente. Essa se caracteriza por um conflito entre o ego e o superego, em que sujeitos se sentem inadequados e exilados do mundo, inclusive do ambiente virtual nas realidades demarcadas Santana; Martins; Silva (2016).

É imperativo compreender que a melancolia pode ser entendida como um tipo de caráter ou temperamento natural, constitui a essência de um sujeito. Sendo assim, não pode ser vista como um desastre, isto é, como algo que surge apenas pela ação inesperada de causas externas. Assim, se o melancólico é assim por natureza e sua melancolia vai além de uma patologia, assim o melancólico não é necessariamente um doente, existe uma ‘saúde’ na melancolia, um equilíbrio peculiar, uma boa dosagem de inconstância (Chauí-Berlinck, 2008).

A melancolia (depressão) como sintoma de uma contemporaneidade marcada pelo narcisismo, tais como Freud os descreveu e interpretou em ‘Luto e melancolia’ e em ‘Introdução ao narcisismo’ ao qualdestacou Chaui (2024) ao usar o termo depressão, ela é uma condição contemporânea, segundo Christopher Lasch, com as obras em ‘A cultura do narcisismo’ por David Harvey em ‘A condição pós-moderna’ (Chauí-Berlinck, 2008).

Fazemos a articulação entre o processo de socialização patológico e a sociedade contemporânea por que esta é narcisista na sua forma intrínseca, isto é, na maneira como produz e opera apenas com a imagem enquanto imagem, elaborada e transmitida não só para substituir o real, mas para oferecer um suposto gozo imediato e com isso bloquear os processos psíquicos e sociais de simbolização, sem os quais o desejo não pode ser transfigurado e realizado. Paralisia do desejo no narcisismo, impossibilidade de simbolização e ausência de pensamento, a sociedade contemporânea nos faz permanecer na imediação persuasiva e exclusiva da imagem e só é capaz de propor e provocar atos sem mediação e que, por serem atos que não conseguem efetivarse, sua impossibilidade se exprime sob a forma da Melancolia/Depressão. (Chauí-Berlinck, 2008, p. 45).

Ou seja, por mais que o sujeito de espectro neurótico narcísico esteja conectado virtualmente ele sente o vazio, a desconexão e o isolamento, mas se esforça para se conectar constantemente aos objetos libidinais, ou seja, as redes sociais. Em suma, o aspecto de neurose narcísica compõe essa subjetividade mutante ao qual destaca Chaui (2024).

Quanto ao narcisismo digital no contexto do espectro psicótico, pode-se considerar, nessa estrutura de subjetividade, o sentimento de grandiosidade típico dos sujeitos psicóticos. Isso significa que, quando há uma ruptura da realidade, ela afeta a percepção de si e do corpo, levando o sujeito, em alguns casos, a acreditar que é uma figura de importância universal, divina ou detentora de poder, ou melhorque o próprio sujeito em sua própria concepção. No espectro psicótico e na psicose patológica, esse é o traço narcísico mais marcante, pois nenhuma subjetividade de espectro psicótico ou em sua potência máxima, ‘incorpora’, ‘se inspira’ ou ‘assume’ um personagem medíocre ou coadjuvante, o empoderamento e o protagonismo prevalecem. Como Norman Bates do filme Psicose (Psycho, 1960) de Alfred Hitchcock, que já não existe mais, e quem persiste nele era a ‘mãe’, uma mulher que detinha o poder.

Ao destacar o espectro psicótico como uma dimensão da subjetividade na Plataformização, podemos considerar as plataformas digitais de jogos como ‘realidade psicótica digital’ de manifestação desse tipo de subjetividade. Um estudo recente sugere que sujeitos que jogam videogames têm maior probabilidade de vivenciar episódios psicóticos mais tarde na vida.

Pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá, descobriram que o uso excessivo de plataformas digitais na adolescência está associado ao desenvolvimento de paranoia, delírios, alucinações e pensamentos bizarros por volta dos 23 anos (Paquin et al., 2024).Assim, a figura de poder é o atirador, o protagonista do conteúdo narcísico em fluxo conduzido inconscientemente pelo sujeito, e sem nenhum traço de perversão, pois no surto em potencial a longo prozo o atirador pode ser o grande herói. Assim, o que era apenas um espetro psicótico narcísico passa a ser um acontecimento patológicos potencializado pelo uso massiva as plataformas digitais de jogos.

Quanto ao espectro de perversão narcísica frente à subjetividade, na Ciência da Informação como campo de debates referente àsfake news é o único constructo capaz de incorporar essa noção, ao visualiza o sujeito como produtor, e como de disseminador. Isso ocorre nessa seara, pois o pervertido narcísico ‘se caracteriza, para um indivíduo, pela necessidade e pelo prazer prevalente de se fazer valer a si mesmo a expensas de outrem’. (Racamier, 2012, p. 22).

Assim, para Vale e Cardoso (2020) essa necessidade de se fazer valer a si em cima do outro na busca dos prazeres específicos do gozo nasce nessa produção quanto à disseminação das fake newsquesão os prazeres dessa subjetividade.Os sujeitos perversos são conscientes, são ressentidos entre o amor e ódio, assim destroem os valores originais dos produtos que eles usam como matéria prima das fake news, como a fanfic, a sátira, os memes, as teorias conspiratórias, revisionismo histórico, negacionismo científico, a ciência e a informação. A subjetividade de espectro de perversão narcísica efetiva das fake news ocorre por duas vias, ela é usada para favorecer alguém através da paixão e do gozo que estes lhes promovem de forma simbólica; como para desfavorecer alguém que goza sem ele; ou esse gozo pode ser através do dinheiro, assim a emoção sempre será o campo de potencialização da motivação do espectro perverso narcísico (Santana et al. 2024).Para Santana et al. (2024), as subjetividades de espectro de perversão narcísica além de se esconderem nas sombras dos bits como uma zona de proteção, a ‘realidade de mediação social, digital e virtual’ é o habitat destes sujeitos, por que eles têm consciência e senciência da cadeia de acontecimentos, de seus atos e efeitos sobre os outros e sobre eles mesmos.

 

6 CONSIDERAÇÕES

 

Para Chaui (2024), as transformações resultantes das TIC deram origem as novas formas de percepção e sensação de si e do corpo, configurando uma subjetividade narcísica, assim é o excedente da Plataformização, a nova configuração social, cultual e tecnológica.

Esse estudo infere que essa subjetividade narcísica pode ser dividida em três espectrais: neurose, psicose e perversão, sendo denominada ‘espectral’ porque se refere ao funcionamento mental e não às patologias em si. No contexto da Plataformização, a subjetividade espectral psicótica narcísica transita mais pela ‘realidade psicótica digital’; a subjetividade espectral neurótica narcísica se desloca com facilidade pela ‘realidade de mediação social, digital e virtual’; e a subjetividade espectral perversa narcísica transita conectando e se desconectando pela ‘realidade de mediação social e física’.Além dos reflexos das TIC, essas subjetividades narcísicas se movimentam através dos fluxos de informação presentes nas realidades que compõem a Plataformização, ao qual as foças motrizes são o empoderamento e protagonismos percebidos, sentidos e simbolizados de forma distorcida.

A subjetividade espectral psicótica narcísica transita pela ‘realidade psicótica digital’, caracterizando-se por uma inclinação às plataformas digitais de jogos, onde o gozo está atrelado ao poder. A subjetividade espectral neurótica narcísica transita pela ‘realidade de mediação social, digital e virtual’, marcada pelo conflito entre o desejo de estar conectado e a dificuldade de se adaptar a essa realidade, resultando na ausência de gozo. Já a subjetividade espectral perversa narcísica transita pela ‘realidade de mediação social e física’, onde os sujeitos têm as fake news como objeto do gozo.

 

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[1] Docente da  Universidade do Estado do Amapá (UEAP), Doutora em Educação (ULBRA/RS, 2024). Mestre em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (Centro Universitário UNA/BH/2013). Graduada em Psicologia (UNINCOR/MG/2009), Pedagogia (FBN/AM/2023) e Ciências Sociais (ÚNICA, 2024). Formação Complementar em Pedagogia (FCE/2022).

[2] Doutor e Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Graduado em Psicologia (UFPB) e Biblioteconomia e Arquivologia (Uniasselvi), é especialista em Ensino e Interdisciplinaridade (Uniasselvi) e especialista em Arquivologia (Faculdade Domínios).

[3] Possui Graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Graduação em Formação Pedagógica de Docentes - Habilitação em Letras e Pedagogia pela Faculdade Educacional da Lapa (FAEL), Especialização em Docência da Educação Superior pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), Mestrado em Ciência da Informação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Doutora em Educação pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA/Canoas).

[4] Possui Graduação em Psicologia pela Universidade da Amazônia (UNAMA), Especialização em Psicologia Clínica: abordagem Psicanalítica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR) e Servidor técnico administrativo em educação (TAE) na Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

[5] Mestra em Letras (PROFLETRAS) pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, pós-graduada em Literatura e Ensino, pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (2011) e graduada em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (2005), atualmente é professora na educação básica e tutora do curso Letras-Língua Portuguesa na UERN/UAB.

[6] Trata-se de uma lacuna, um estado de incerteza que abre a necessidade de informação, quando há uma percepção de distância entre o conhecimento atual e o conhecimento desejado (Belkin, 1980).

[7] É um mecanismo de defesa do sujeito responsável pela rejeição de um significante do simbolismo de uma pessoa.

[8] É um mecanismo de defesa concentrar, reprimir aspirações e desejos e instintos.

[9] É um mecanismo de defesa em que o sujeito se recusa a reconhecer como seu um pensamento ou um desejo que foi anteriormente expresso conscientemente.

[10] Paradigma social e o Paradigma físico (Capurro, 2003).

[11] É um acontecimento mentalque pode promover um sentimento de emoção negativa, como medo, angústia, ansiedade ou raiva (Ximenes, 2021).